terça-feira, 29 de setembro de 2009

Cinedupla: Twilight + Let the Right One In

Nos últimos anos temos assistido a uma nova e intensa atenção sobre os vampiros e respectivo imaginário. Não vislumbro nas novas propostas como interessadas em seguir os conceitos clássicos mas sim uma espécie de renovação do tema com uma abordagem inesperadamente muito pop, principalmente se imaginarmos que estes seres ainda são os eternos maus da fita.

O cinema e a TV tem sido abundantes em refrescar o conceito. Se por um lado ora se opta por tornar atraente aos mais adolescentes, por outro lado também se tem conseguido apresentar situações inovadores.
No presente momento temos do lado da TV, series como True Blood ou The Vampire diaries... Mas já antes outras haviam surgido, basta lembrar dos tempos de Buffy até hoje.

Já o cinema nunca abandonou o género e isto já remonta desde os clássicos filmes de Drácula. Acho que não ouve década nenhuma sem filmes desta gente de dente afiado. Contudo, desde o fenómeno recente em que se tornou a saga Twilight - Crepúsculo que a atenção foi redobrada. Sem querer falar demasiado sobre esta recente tendência, avanço para a dupla de filmes escolhida para este artigo, que de certa forma lidam com o tema vampírico em tons de inocência e descoberta.



Twilight - Crepúsculo

O que dizer de um filme feito para adolescentes e onde onde o ponto de vista da vivência destas personagens é nos entregue como os adolescentes vêem o mundo pela sua própria maneira de estar na vida.
O filme demarca-se no campo vampírico pelo romance entre uma jovem humana e um vampiro. Aliás, o interesse é totalmente virado para a evolução desse romance, feito em estilo muito lento em toada muito "girly-like", portanto tal como é vivido pelas jovens do inicio da adolescência. O facto dessa orientação tão específica transmite uma aura de diferença, pelo que não é de espantar que a sequela que está para chegar foque a atenção nos trailers para a sensualidade das personagens masculinas (em tronco nú e tal)...
Twilight é um filme que devido a essa componente girly-teen, promete muito mas não se vê acontecer nada na realidade, passando o simples "beijito" na boca como o clímax dum romance, adiando a "aventura pura-e-dura" para as sequelas (ou talvez não, que isto tem de render vários...). Mesmo assim o filme, na sua toada delico-doce consegue ser agradável de ver e tem nele algumas inovações vampíricas como estes poderem andar à luz do dia (sem sol). A explicação das novas características, depois de conhecidas, tornam-se igualmente ridículas: é que com este upgrade (tonto), os vampiros quando na presença do sol não se desfazem... mas passam é a brilhar como diamantes! (sim, já nada é como dantes...). Depois há... ora bem... é um filme que não respeita muito o género clássico mas que curiosamente se vê com fluidez pois vai desenvolvendo-se bem.
"Twilight" deve ser visto não como um filme mas sim como uma série para ecrãs de cinema. À laia de Harry Potter... mas com muito mais estilo numa nova mitologia vampírica. É um filme fixe mas nada demais...
Ver mais aqui aquando da estreia.



Låt den rätte komma in
("Let The Right One In" ou "Deixa-me Entrar")

Este é uma das boas surpresas que nos chega da Suécia.
Se "Twilight" se pode ver como um filme inocente, este "Let The Right One In" é um filme sobre a inocência.
Neste filme deparamo-nos com uma abordagem muito correcta ao tema vampírico e com um ponto de vista até invulgar: é a amizade entre duas crianças, um menino e uma menina, sendo ela uma vampira.

O filme decorre lento mas pujante, sendo que as revelações nos são introduzidas gradualmente e com muita lógica. Somos colocados como espectadores das situações de ambos, ele como um tímido menino solitário que é constantemente gozado pelos outros e ela como alguém portadora de uma espécie de doença que a mantém reclusa do seu próprio estado. É uma vampira...
Compreende-se a sua infelicidade existencial. Não pode sair da sua casa (toda fechada á luz), não tem autorização para socializar e não podendo até ser vista. Mesmo assim impedida... escapa-se á noite para brincar e conhece outro menino, aparentemente da mesma idade. São vizinhos do mesmo prédio e os quartos de ambos encostados.
Ela vive só com um progenitor idoso que cuida dela e que lhe vai desenrascando como pode, doses sanguíneas para esta se alimentar. Até um dia...

"Let The Right One In" consegue transportar de forma inteligente o lado vampírico desta criança para a nossa realidade, colocando-a em confronto com algumas situações que de certeza muitos de nós já nos interrogamos.
O que aconteceria se um vampiro tentasse comer alimentos reais? Por que razão têm de ser convidados para entrar na casa de alguém? Como se afastam no horário diurno? Como é que, existindo, ninguém sabe deles? E talvez algumas mais questões são para nós desarmadamente esclarecidas pela interacção de duas crianças á margem de todos. Uma amizade e respeito mutuo, que lhes vai mudar as vidas. Ambos criam mutuamente uma sólida ligação afectiva...



É sempre magistral no seu desenrolar calmo e até comovente por vezes no trato dado ás diversas situações que se vão deparando e daí à exposição da sua violência, por vezes bem crua.

Impressiona e deixa marca em que o vê. É a prova que na europa se conseguem fazer filmes sérios e simultaneamente frescos de ideias e conceitos. Ao mesmo tempo consegue ainda respeitar tradições clássicas. Uma interessante surpresa, sendo a maior de não se tratar de cinema americano (por enquanto pois o remake já está a ser feito -os americanos têm um conceito diferente de importar filmes...)

"Let The Right One In" foi exibido em ante-estreia na "1ª Mostra Sci Fi de Cinema Fantástico" que decorreu em solo nacional em Março deste ano.
Um filme altamente recomendado!

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